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sábado, 7 de maio de 2011

A Maldição de Eva



Era uma vez... um velhinho barbudo e bastante inteligente que, cansado da monotonia ao seu redor, teve a idéia de criar o "ser humano".
Assim, Deus criou Adão. Mas como nenhum ser humano é uma ilha, para viver isoladamente, resolveu dar-lhe uma "companhia". E da costela do solitário rapaz fez Eva, a primeira mulher do universo.
Tentada a comer do fruto proibido, Eva rende-se ao pecado e leva a humanidade a uma existência limitada e finita. Passa a ser considerada a responsável pela queda do homem e portanto, uma instigadora do mal. Deve-se a este fato a perseguição implacável ao corpo da mulher, tido como fonte de malefícios.
O período da Idade Média, auge da Igreja Católica, e que teve como marco o episódio conhecido por "caça às bruxas", verdadeiro genocídio realizado contra o sexo feminino na Europa e nas Américas, mostra-nos que a religião pode ser uma das maiores fontes geradoras de preconceitos e de incentivo à violência e à intolerância.
O que a história pouco nos revela é que a mulher, tida como bruxa, na verdade possui conhecimentos que lhe conferem espaços de atuação que escapam ao domínio masculino. E a medicina, neste momento, passa a instaurar-se como instituição masculina que detém o monopólio do saber e do poder de cura. Numa tentativa de estabelecer sua hegemonia, procura banir as práticas femininas do trato com ervas e do atendimento aos partos. Afinal, é a mulher, curandeira e parteira, secularmente encarregada da saúde da população, o principal concorrente a ser eliminado.
Interessante a observação de Jules Michelet em "Sobre as Feiticeiras": por ordem de seu bispo, a cidade de Genebra queimou, no ano 1515, em apenas 3 meses, nada menos que 500 mulheres; na Alemanha, o Bispado Bamberg queima de uma só vez 600, e o de Wurtzburgo, 900. As confissões eram extraídas sob tortura e mesmo contra qualquer evidência:

"O processo é simples. Começar por utilizar a tortura para as testemunhas... Extrair ao acusado, à custa de sofrimentos, qualquer confissão... Uma feiticeira confessa ter roubado do cemitério o corpo de uma criança... Desenterram-no e lá o encontram dentro do caixão. O Juiz porém resolve, contrariando o que os olhos lhe dizem, que se trata de uma aparência, um engano do Diabo... Ela é queimada".

Com o declínio do Tribunal da Inquisição, a Igreja lança agora a figura de Maria, retratada como símbolo de pureza, bondade, a grande mãe da Igreja. Este mesmo tipo de exaltação ao feminino pode ser encontrado no Talmude, livro religioso judaico, em que se faz a seguinte menção: "A mulher fez-se da costela do homem, não dos pés para ser espezinhada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual... debaixo do braço para ser protegida e perto do coração para ser amada".

Nos situando no século XXI, ainda são comuns casos de violação aos direitos humanos, principalmente no mundo islâmico, em que engatinham políticas de proteção à mulher. Quantas "Sakineh" são apedrejadas em praça pública sem direito à própria defesa? E qual o número de vítimas de maus-tratos dentro de seu próprio lar que continuam vivendo no silêncio? E aquelas meninas, tiradas da infância para a vida matrimonial?
É necessário uma separação entre Estado e Religião para que as bandeiras do combate à discriminação, violência e proteção aos direitos sexuais e reprodutivos sejam erguidas, estabelecidas e respeitadas.
Lembrando-se que os Direitos Humanos não são dados, mas construídos.



"A mulher faz-se da costela do homem, não dos pés para ser espezinhada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual... debaixo do braço para ser protegida e perto do coração para ser amada".